sexta-feira, 22 de setembro de 2017

As primeiras partilhas

Na nossa escola valorizamos imenso a participação das famílias. Sentimos que tudo ganha outro sentido quando as famílias são envolvidas neste processo de aprendizagem. "O trabalho com a família tem como objetivo promover a comunicação e as conexões entre o mundo familiar da criança e o mundo da creche, capaz de ampliar as aprendizagens das crianças." (Folque, Bettencourt & Ricardo). 

Não queremos ser um fardo para as famílias, mas acreditamos que a partilha de uma experiência, a fotografia de um momento, um objeto que gostamos em casa, traz uma nova dimensão ao trabalho em creche. Ao termos em conta as partilhas que chegam de casa, estamos também a envolver as crianças na participação do planeamento de novas atividades. 

Desde o início do ano têm chegado diversas partilhas à nossa sala. Aquele momento em que uma criança se senta à frente do grupo e "mostra" o que trouxe, num tempo de comunicação (verbal ou não verbal) com o outro é um momento de enorme valorização pessoal e de validação social. É quando nos tornamos comuns e o que é "meu" passa a ser "nosso". 


O Sebastião trouxe uvas e os seus cereais preferidos para partilhar ao lanche com os amigos. 


A Francisca trouxe um xilofone moçambicano que fez as delícias de todos na sessão de música com a professora Margarida. 


O Santiago trouxe marmelada da avó que partilhou com as crianças da nossa sala e ainda com as crianças da sala da Susana. Um momento muito enriquecedor para todos com este encontro geracional tão bom! 


A Beatriz trouxe uma boneca e mostrou aos amigos cada parte do corpo: "Aqui é cabeça, os olhos, a barriga..." No fim da comunicação a boneca da Beatriz foi para a área do faz-de-conta onde foi alvo de inúmeras brincadeiras. 


O Eduardo apanhou folhas secas com o pai e trouxe um saco cheio que partilhou entre os amigos.


A mãe e o pai da Francisca trouxeram de Moçambique uma caixa de tesouros daquela terra. Ao abrirmos a caixa descobrimos conchas, corais, cascas de frutos secas, búzios e tantas outras coisas que quisemos explorar. 


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A ação social dos bebés

Na creche existe a tendência de darmos às crianças tudo já pronto a ser explorado. A nossa perspetiva adultocêntrica condiciona muitas vezes a nossa ação. Por vezes é preciso parar e refletir sobre como aprendem os bebés, sobre como se relacionam com o mundo e os objetos ao seu redor. É preciso valorizar a ação social dos bebés. Claramente seremos surpreendidos sobre o saber fazer que bebés e crianças pequenas já têm. 

Desde o início do ano que andamos de volta da organização do espaço da sala e percebemos com as crianças o que faz falta e o que lhes faz sentido. Foi assim que decidimos fazer o nosso mapa de aniversários. O mapa de aniversários surge como instrumento do grupo, onde temos fotografias de todos - adultos e crianças - e respetivas datas de aniversário. 

Para fazermos este mapa eu propus que fizéssemos digitinta. Em cima de uma mesa deixei várias garrafas de tinta. À vez, cada um escolheu a cor que quis utilizar, pegou na garrafa, levou-a até à mesa, abriu-a ou teve ajuda para a abrir e depois de espalhada a tinta em cima da mesa pôde experimentar esta técnica de expressão plástica. 



A forma como cada um reagiu a esta nova atividade também foi muito interessante. Alguns espalharam a tinta (quase) até aos ombros, outros tocaram e depois decidiram não fazer (a não participação também é uma forma de participação e não devemos esquecê-la), outros houve que a par e passo, com calma e segurança passaram por todas estas fases: observar, tocar com apenas um dedo, depois uma mão e em seguida outra até espalhar toda a tinta na mesa. 


No final sempre aquela reação de espanto e capacidade de se surpreenderem, fosse com a tinta na pele, fosse com a estampagem na folha... cada momento que se viveu, viveu-se com prazer e tempo de exploração. 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

De volta à Creche

Pé ante pé regressei à Creche. Foi nesta segunda-feira que entrei, pela primeira vez, com o meu novo grupo, na nossa nova sala. Já nos conhecíamos um pouco. Fui visitando-os durante estes meses de Verão... mas eles ainda não me tinham como deles. Foi esta semana. Esta semana que se começaram a criar relações. A primeira vez que me pediram ajuda para a última colher de sopa, a primeira vez que escolhemos uma história juntos, a primeira vez que se encostaram no meu colo, que lhes cantei uma canção, que me chamaram "Mata" ou "Pata"... e que doce é ouvir este chamar, que bom que é sentir esta pertença, que bom que é voltar à creche. 

Esta foi uma semana para nos adaptarmos uns aos outros, mas também para me rejeitarem, quando preferiam o colo da Fátima, ou a ajuda da Nádia... (na creche as referências são tão importantes, há que respeitar e dar-lhes tempo). Foi a semana que nos conhecemos melhor, que começou devagarinho e que terminou com tímidos abraços e muitos mimos. Foi a primeira semana de muitas. E foi também a semana em que eles começaram a explorar o espaço:


Aconteceram tantas brincadeiras no faz-de-conta!


As primeiras construções em cooperação!


Houve tempo para muitas "leituras" na zona da biblioteca.


...e inúmeras explorações nas diferentes áreas. 

Este ano promete. 

sábado, 3 de junho de 2017

Medusas e Alforrecas

Assim que regressei a Marta e a Paty puseram-me ao corrente de tudo o que estava a acontecer na sala. Soube então que estavam três projetos na calha. Alguns a decorrer e outros prestes a começar: um sobre alergias, outro sobre os direitos das crianças e um terceiro sobre alforrecas e medusas. Percebemos que estavam muitas crianças interessadas neste tema e o mais curioso é que tínhamos 11 perguntas para responder. Começámos as nossas pesquisas e descobrimos tantas coisas sobre este ser que não houve quem não ficasse cativado. 


E vocês sabiam que as alforrecas são pré-históricas, existem desde antes do tempo dos dinossauros?
E que há uma espécie de medusa que é imortal?
E, imaginem só, sabiam que algumas aforrecas já foram ao espaço?
E quem imaginaria que as medusas ou alforrecas comem e "fazem cocó" pelo mesmo canal?
Ah... e que são compostas por 95% de água, que não têm cérebro, nem ossos?

Medusas, Alforrecas e Águas-vivas são os vários nomes que este ser marinho tem!

É mesmo uma maravilha seguir este modelo pedagógico e embarcarmos nestas descobertas com as crianças. Estamos sempre a aprender!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

O regresso


Desde meados de Abril que regressei ao trabalho. Primeiro aos bocadinhos, ainda com fugas rápidas para ir ter com a Maria e desde o início de Maio que estou de corpo e alma na escola. O regresso foi estranho e engraçado ao mesmo tempo. Acima de tudo foi um desafio. Este ano letivo, praticamente não estive com o grupo. As referência foram-se construindo e no meu regresso tive de procurar o meu lugar. Aos poucos fui ganhando espaço. Tão interessante algumas coisas que aconteceram. Inevitavelmente há sempre diferenças. Ainda que eu e a Marta sigamos o mesmo modelo e tenhamos a mesma linha pedagógica encontramos sempre diferenças e eles foram-me dizendo:

"Na reunião de Conselho pomos as cadeiras mais para trás, Marta!"
"Se quiseres podes ver o meu desenho, mas eu depois quero ir mostrar à Marta Reis!"
"Marta hoje sou eu a dar a palavra!"

Fui me ajustando, eles ajudaram-me e a Marta pediu-me para apoiar um dos projetos que estava na lista para se fazer. Foi assim que também me senti, cada vez, mais integrada!

As novidades da nossa sala continuam a passar também por aqui: Já sei Marta!

Estou de volta! E é tão bom!

domingo, 30 de abril de 2017

O seminário na ESE

No dia 26 de Abril estivemos na ESE. É sempre bom voltar à casa que nos formou e onde tivemos tantos momentos felizes. No anfiteatro encontrámos uma sala cheia, mas tão cheia que havia pessoas sentadas em todo o lado. Partilhámos a nossa prática, refletimos em conjunto, revimos muitas amigas e saímos de coração cheio. Prometemos voltar! 


terça-feira, 25 de abril de 2017