terça-feira, 22 de setembro de 2020

Subir, trepar, descer, escorregar

Esta semana trouxe para a sala um circuito Pikler com vários materiais que permitem uma série de explorações e brincadeiras. Estes "brinquedos" desenvolvidos pela pediatra Húngara Emmi Pikler, ajudam a desenvolver o equilíbrio e a motricidade, a segurança e a coordenação. Assim que montámos os materiais começaram as explorações e para além do subir, descer, girar, escalar, que os materiais já proporcionam, também houve o balançar, o escorregar, o apoiar, e partilhar que vivemos em cada novo tempo na nossa sala. 






Emmi Pikler afirmava que uma criança que se pode movimentar livremente e sem restrições é mais cautelosa e aprende a cair com segurança, enquanto uma criança que é muito protegida e cujos movimentos são restritos é exposta a maiores perigos.

Podem encontrar estes materiais aqui Mr. Júlio Kids. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

À descoberta dos figos e das figueiras

Na semana passada a Ema trouxe um figo seco para a sala e esteve a mostrar aos amigos. Ficámos muito curiosos com este fruto mas não o reconhecemos logo.  

No fim de semana fui à nossa quinta de Castelo de Bode, e aproveitei para ir até às nossas figueiras. Tirei fotos, trouxe folhas da figueira e muitos figos. Na segunda-feira partilhei com o grupo tudo o que trouxe:

Claro que nos deliciámos com os figos maravilhosos que trouxe. Algumas crianças gostaram muito, outras experimentaram mas não adoraram, umas houve que repetiram várias vezes. Foi o verdadeiro prazer da descoberta. 


Enquanto tudo acontecia, fomos registando as nossas descobertas, assim como as vozes das crianças: "A árvore dos figos é a figueira"; "Há figos verdes" "E pretos!"; "O figo é muito doce." "Gosto de comer figos!"; "Na minha casa, a mãe tem figos!". 


No fim fizemos um cartaz com as descobertas que fizemos e deixámos à porta da nossa sala, para que a restante comunidade pudesse ver o que andamos a fazer/descobrir. 

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

O regresso

Estou de regresso, numa altura em que o blogue faz ainda mais sentido. As portas das escolas estão fechadas às famílias. Os pais pouco ou nada entram nas escolas e a relação diária de abraços e troca de palavras que tínhamos, faz-se agora de forma mais escassa e adaptada. O blogue sempre foi uma janela aberta ao mundo para mostrarmos o que fazemos em sala e agora, mais que nunca, é necessário abrirmos janelas e sentirmos o afeto que continuamos a viver dentro da escola. 

Setembro chegou e com ele, uma sala nova, alguns amigos novos e muitoooos novos procedimentos. Os pais já não entram na sala, mas pelo período de adaptação das crianças que estão pela primeira vez na escola, encontrámos forma de termos um espaço transitivo. A adaptação faz-se no recreio. Os pais despedem-se dos filhos com calma, sem beijos apressados e sem um nó no coração. As crianças ficam a brincar e neste tempo em que pais e filhos exploram o espaço, estabelecemos relações e construímos pontes de confiança. As crianças que já estão adaptadas e com muitas saudades da escola, regressam mais cedo à sala com a Drica (auxiliar de ação educativa) para poderem explorar o novo espaço e assim evitar que estejamos em demasia no recreio. Quando os pais se sentem confortáveis, e as crianças estão bem, despedem-se e seguem rumo aos seus trabalhos. Nós juntamo-nos ao restante grupo (não sem antes lavar mãos) e conhecemo-nos todos melhor. Alguém fica responsável pela higienização do recreio e materiais.  Com crianças de 2 anos (na minha opinião, com crianças seja de que idade for) não há distanciamento social. Há um apostar forte na higienização, desinfeção, lavagem de mãos, etc. Somos pelo bem estar emocional, somos pelas relações e pelos afetos e neste novo caminho que seguimos só uma certeza: não largamos a mão de ninguém. Sorrimos mais com os olhos, aprendemos novas formas de nos expressar, aproveitamos os momentos de distanciamento para mostrar um sorriso, abraçamos, damos colo, lavamos mais vezes as mãos, mudamos mais vezes de bata, mas ninguém nos tira o amor, ninguém nos rouba a relação. 


A descoberta dos jogos a pares


Os materiais de artes visuais todos ao alcance das crianças, para poderem escolher, explorar, experimentar o que querem fazer. 


A área do faz-de-conta, a biblioteca da sala... Todos os materiais estão acessíveis às crianças. O cuidado que tivemos passa por ter vários "kits" de materiais que rodam conforme a utilização. Após a utilização são lavados/vão para a higienização e ficam outros no seu lugar. E depois voltamos a trocar e a trocar. Há uma dança de materiais mas nunca uma ausência dos mesmos. As crianças precisam de objetos para explorar, para descobrir, para inventar, para se apropriarem, para se relacionarem com o outro e com o mundo. 

E claro... dar o devido valor e importância ao espaço exterior e ao brincar. Tanto e tanto que podemos fazer neste enorme recreio que temos à porta da sala. Temos muita sorte. 

P.S. - Prometo ainda atualizar muitas das coisas que vivemos entre o último post e o de hoje. Por cada post novo, um mais antigo. 

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Da curiosidade sobre o que comem as baleias a um projeto de intervenção na Creche

Tudo começou no dia em que o Miguel trouxe o livro "Baleia" para a nossa sala. Assim que o abrimos vimos que dentro da baleia estavam várias pessoas. A pergunta surgiu imediatamente. "Mas as pessoas comem baleias?" Depois desta outras perguntas foram se juntando. "As baleias vivem  na água? No mar? Nos lagos?" "O que comem as baleias? Pessoas?" "As baleias são primas dos tubarões?". Estava lançado o projeto. Como não tínhamos resposta para a maior parte das perguntas, decidimos ir pesquisar o que queríamos saber. 


Num saltinho à Biblioteca da escola, encontrámos imensos livros sobre as baleias.... todos tinham algo comum: o mar. Descobrimos então que as baleias vivem no mar. Os livros que trouxemos para a sala foram tomando conta das áreas. Nas mesas, no faz-de-conta, no tapete da biblioteca... para cada lado que eu olhava havia alguém a folhear aqueles livros com a maior curiosidade. 


Continuavam ainda a existir questões sem resposta. Já sabíamos que as baleias e os tubarões não eram primos. Já tínhamos registado as diferenças entre um animal e o outro. Já sabíamos que as baleias não comiam pessoas. Então, um dia de manhã, eu trago uma notícia para a sala. No meio das fotografias que havia imprimido para o projeto, havia uma onde o mar estava cheio de plástico. Num outro recorte de jornal a notícia que uma baleia tinha morrido por ter "comido" muito plástico.  A reação que se gerou naquela mesa, entre aquele grupo de crianças de 2 e 3 anos foi absolutamente incrível e a mensagem que ficou no final daquela longa conversa foi:

- Mas isto é muito, muito grave.
-Temos de ajudar as baleias. 
- Vamos apanhar o lixo do mar. 


As semanas que se seguiram foram de intensa produção. As famílias, sensibilizadas pela conversa (foi enviado um filme a todas) que tínhamos tido e pelas questões que os seus filhos levaram para casa, começaram a enviar mais material. Percebíamos rapidamente que podíamos fazer alguma coisa que ajudasse as baleias. 


Decidimos recolher todo o plástico usado num dia de escola, fomos a todas as salas, à cozinha e pedimos que ninguém deitasse plástico (embalagens) fora nesse dia. Ao fim da tarde tínhamos 3 sacos de 120 lts de "lixo" na nossa sala. Percebemos ali que o lixo que produzíamos era imenso. Decidimos fazer uma baleia gigante e pôr todo o plástico que recolhemos nesse trabalho. Queríamos que todos vissem o que tínhamos descoberto e que todos pensassem em ideias de como podíamos mudar esta nossa forma de estar. Na verdade usámos apenas 1/3 do lixo que a nossa escola produziu num dia - foi impossível usar mais e escrevemos essa informação.  Assim que tivemos a nossa baleia pronta, expusemos no hall da escola. 


O burburinho começou a ouvir-se por todo o lado. Ninguém ficou indiferente à baleia gigante cheia de plástico que todos nós produzimos/consumimos num dia normal de escola e que estava agora exposta naquele hall. Mas era necessário fazer mais. "Isto não chega." - dizia o Miguel do alto dos seus 3 anos. 


Decidimos convidar TODAS as salas da escola para ouvirem a nossa comunicação. Do berçário às salas do 1º Ciclo ninguém faltou à nossa comunicação. No dia marcado fizemos 2 comunicações: uma após a outra para que todos pudessem colocar questões e estarmos à vontade para falar. Desde avisos, a comunicação de factos e até uma canção que sensibiliza para a redução do plástico, esta comunicação teve de tudo um pouco. E temos de agradecer à professora de música, Margarida Barros, que nos apoiou ao longo de todo o projeto, não só nas aulas de música, mas com a sua experiência no que toca ao tema. 

No final de cada comunicação oferecemos a cada amigo um panfleto com o resumo do que aprendemos para levarem para casa. Que as mudanças aconteçam na vida de todos e não só na nossa. 


Por fim o projeto foi afixado também nas paredes da nossa escola para que todos tivessem acesso a este maravilhoso trabalho. Para que todos tomassem consciência da mudança que podem fazer. 


E vocês já pensaram, hoje, como podem mudar o Mundo?

"Assim é a vida em comunidade. Cabe a cada um de nós, individual ou cooperativamente, refletir acerca do mundo que nos rodeia, nunca esquecendo os princípios que guiam o nosso caminho. Enquanto educadores, o papel passa por fomentar o espírito crítico e criar uma verdadeira comunidade democrática, na qual cada criança se sinta válida. Queiramos cada vez mais que as crianças cresçam em contacto pleno com realidade, para que o olhar interventivo exista desde cedo." Marta Reis in «Como desenvolver projetos de intervenção. Ser criança é agir na comunidade» 

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Visitas que nos enchem o coração

A avó do Xavier veio à nossa sala falar um bocadinho da sua profissão. A avó Céu trabalha no Museu de Évora e quis partilhar, com a nossa sala, algo que faz muitas vezes, em Évora, com outras crianças: pintura de azulejos. 

Com a avó Céu aprendemos a técnica de pintar azulejo. Foi uma manhã maravilhosa, que começou com a avó Céu a contar-nos uma história de mitologia e apresentar animais estranhos que só existem na nossa imaginação. Esse foi também o mote para a pintura dos azulejos.


A atividade que a avó Céu veio desenvolver passou, primeiro, por um projeto de desenho com lápis de carvão em folha de papel vegetal.


Viajou até um momento de picotagem em que todos puderam contornar o seu desenho original, com maior ou menor precisão. 


Depois foi só aprender a técnica de soltar o carvão em pó em cima do picotado que passava o desenho para o azulejo.


Até finalizarmos o processo com umas pinceladas nos azulejos. O objetivo foi sempre, as crianças conhecerem a técnica do azulejo e nunca que o fizessem com o rigor necessário. Claro que os desenhos iniciais não são as pinturas finais, mas a importância de vivermos a realidade da técnica de pintura foi, só por si, maravilhosa.


A avó Céu levou tudo para cozer e no final de mês trouxe os nossos azulejos, que já estão nas casas de cada criança.  Foi mesmo uma manhã completa e cheia de desafios e nós só temos a agradecer à avó do Xavier por ter tirado um dia do seu trabalho para vir estar connosco.


Obrigada!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Visitámos a Exposição Photo Ark

A sala da Mariana, no âmbito do projeto de fotografia que estão a fazer, convidou-nos para irmos ver a Exposição Photo Ark. Ficámos muito entusiasmados, até porque a nossa preocupação com alguns animais que sabemos que estão em perigo, é enorme. 

Assim que chegámos começámos a viajar pela exposição e a perceber que há muitos animais em perigo. Pelo caminho fui-lhes lendo frases inspiradoras:

 "A diversidade da vida na Terra não é apenas maravilhosa. É essencial à nossa sobrevivência. Joel Sartore


"Quando salvamos espécies, estamos na verdade a salvar-nos a nós próprios." Joel Sartore


A exposição é fantástica e ficámos maravilhados com algumas fotografias ao mesmo tempo que ficámos um pouco tristes por saber que tantos animais estão em perigo. 


"Quero que as pessoas se preocupem, se apaixonem e não fiquem indiferentes." Joel Sartore


Vimos tudo com imensa atenção, assistimos a filmes e até fizemos algumas caretas (expressões) como fazem alguns animais. Foi uma experiência muito interessante esta visita a uma exposição de fotografias que nos alerta para um problema tão real. 

sexta-feira, 22 de março de 2019

O dia do Pai foi dia de festa

O dia do pai ou da mãe, são sempre dias muito esperados na nossa escola. Preparamos prendas cheias de significado, envolvemo-nos em surpresas, criamos expectativas e ansiamos pelo dia em que desvendamos tudo o que preparámos. Este ano, na nossa sala, e em sequência do Projeto dos eucaliptos, decidimos fazer um cheirinho para o carro dos pais e depois, na sala, cada pai e filho/a descreveram o que fariam numa aventura de carro. O dia foi cheio de abraços, sorrisos, cumplicidade e muito amor. E isso faz valer tudo a pena. 


O sistema educativo precisa de festas. A escola que perde as festas, os rituais, a vida de convívio, perde a vida. Sérgio Niza