sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Encontros à distância

Nesta coisa que é a educação à distância são muito mais as perguntas do que as certezas. Nem sempre sabemos se as propostas que fazemos fazem sentido. Nem sempre temos a noção se as famílias em teletrabalho conseguem conjugar a sua vida profissional com o apoio aos seus filhos. E muitas vezes, temos a sensação que este modelo não é para crianças pequenas e que a maior parte do que fazemos é num limbo de incertezas e dúvidas. 

Uma coisa julgamos ser certa, as crianças sentem saudades dos amigos. As crianças sentem saudades dos adultos da escola e o papel do educador será encontrar forma de dinamizar espaços de encontro à distância para que as crianças se possam ver, conversar sobre os seus dias e até brincar. 

Nestes encontros à distância, que organizo semanalmente, podem acontecer várias coisas: por vezes conto uma história, por vezes cantamos canções que gostamos, muitas vezes mostramos o que andámos a fazer em casa. De vez em quando temos um convidado: a nossa professora de música é quase convidada permanente. Gostamos de ouvir as suas canções. Às vezes dançamos ou fazemos o jogo das estátuas. Nem sempre aparecem todas as crianças. Combinámos um horário em que as famílias já podem estar presentes e conseguem acompanhar os seus filhos. E assim vamos levando este espaço de educação à distância com a certeza que esta permanência de contanto e relação é fundamental, não só pelos afetos que nutrimos uns pelos outros, como pelo tão esperado regresso à escola. 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Vamos brincar às escondidas?

Quando o ponto de partida das propostas que faço às famílias surge de brincadeiras em casa: 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Arte em casa

Nesta nova dinâmica de trabalhar a partir de casa, é fundamental a reflexão e partilha em equipa. Antes mesmo do ano letivo começar, delineámos o nosso plano de educação à distância. Sabíamos que era uma possibilidade termos de voltar a casa. Refletimos em equipa a melhor forma de fazermos um trabalho com sentido e significado. Conversámos sobre os tempos nos zooms, a forma como as propostas chegam às famílias e ainda o conteúdo. Decidimos que o que fazia sentido era enviarmos propostas opcionais que podem partir da nossa agenda semanal, de alguma partilha ou vivência que as famílias fazem e ainda das partilhas entre salas. Um lema sempre presente: equilíbrio emocional e saúde mental para todos. 

Esta proposta de descobrir a Arte de Mark Rothko chegou a partir de uma partilha da educadora do Berçário. Com alguns ajustes, partilhei também com as famílias da nossa sala. 



A proposta chegou através das imagens atrás apresentadas. De casa, chegou-nos um mundo de cor e exploração. Chegaram ainda fotos e informações que ampliaram o nosso conhecimento sobre o artista. Sabiam que Rothko era obcecado por Mozart? Que muitas das suas obras foram feitas ao som das peças de Mozart? Eu não sabia e fiquei tão feliz por perceber que esta parceria escola família é a única razão pela qual o trabalho à distância na educação de infância pode encontrar sentido. 


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Expressão e Comunicação à Segunda-feira

Agora que acabou o nosso isolamento e já ansiávamos por um regresso à escola, as escolas voltaram a fechar. Ficámos um bocadinho tristes mas com energia para retomarmos e darmos continuidade ao nosso trabalho à distância. 

Lá pela escola, à segunda-feira é dia de contar novidades. É um dia especialmente dedicado à expressão oral e à comunicação. Depois de partilharmos novidades, escrevemos o que as crianças nos ditam e depois todos fazem desenhos nas novidades que eu ou a Drica escrevemos. 

 Agora que estamos em casa é mais difícil partilhar novidades, mas enviei um email às famílias com  algumas sugestões:

- Fazer um registo sobre o que têm feito por casa; 

- Escrever uma carta a um amigo;

- Utilizar algumas fotografias que tenham por casa e conversarem sobre o que lá está. 

Depois perguntar se querem ilustrar. Como suporte a esta atividade enviei duas imagens de apoio:

Uma imagem com uma explicação de como podemos promover o diálogo a partir de leitura de imagens.

Uma imagem que relembra como fazemos as partilhas das novidades na nossa sala!


Durante a semana, fui recebendo algumas fotografias de novidades, cartas e leituras de imagens que as crianças foram fazendo nas suas casas. Desta vez tornamo-nos mais perto e da distância fazemos proximidade. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Em casa é fundamental mexer o corpo

Estando nós fechados em casa, penso que é fundamental encontrar espaço e tempo para as crianças poderem mexer o corpo... seja com propostas mais estruturadas, seja através das possibilidades infinitas que o brincar traz a cada criança. 

Esta semana sugeri um pequeno circuito de atividades motoras. Para isso bastava ter por casa uma fita cola que colasse no chão em ziguezague, duas taças e molas. 

A minha filha Maria, ajudou-me na demonstração, fizemos um vídeo que enviámos às famílias. Depois começaram a chegar as novidades das brincadeiras lá por casa. 


" O corpo na infância é impertinente, é naturalmente um corpo que se mexe. Mas o corpo das crianças portuguesas vive aprisionado. Em Portugal quando um corpo mexe, o adulto diz: não!" Carlos Neto. 

Vamos dizer sim à brincadeira e ao movimento! Precisamos de corpos a mexer. 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Viva o Peixinho!

Começar o dia com uma história... tal e qual como gostamos de fazer na sala. A história que partilhei esta semana já é muito conhecida do grupo. Gostamos muito da história "Viva o Peixinho!" Depois de ler a história sugeri que todos fizéssemos o nosso peixe. Podíamos usar qualquer material que tivéssemos em casa. 

Junto com a história enviei uma imagem com sugestões de formas de fazer peixes com materiais que temos por casa. 

Passados uns dias chegaram as imagens dos vários peixinhos. Depois no nosso encontro de Zoom, que acontece uma vez por semana mostrámos os peixes uns aos outros e cantámos várias canções de peixinhos. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Estamos em casa com o Período Azul do Melro

Janeiro começou e após uma semana de escola, soubemos que tínhamos um caso positivo de Covid-19 na nossa sala e tivemos de ficar em isolamento profilático. 

Em casa, foi tempo de voltar a pensar como poderia apoiar as famílias, à distância. As propostas que vou fazendo têm como ponto de partida, a nossa agenda semanal, ou fotografias que as famílias me enviam que mostram as atividades preferidas lá por casa, ou ainda algumas coisas que tínhamos combinado fazer em sala e que agora ficaram suspensas. Todos os dias envio uma história que pode ter também um ponto de partida ou ser apenas uma história para ouvir pelo prazer de ouvir. Tal como fazemos na sala. A nossa querida professora de música também envia uma proposta por semana e nosso professor de Expressão Físico Motora também. Vamos nos ajustando e ouvindo as famílias nas suas necessidades e angústias. Queremos muito voltar à escola, mas até lá vamos nos encontrando no online. 

Esta semana contei-lhes a história "O Período Azul do Melro" e pedi-lhes que experimentassem pintar só com diferentes azuis, que explorassem o azul das mais variadas formas, técnicas e que, acima de tudo, se divertissem. 

Quando as fotografias lá de casa começaram a chegar, o coração ficou aconchegado e a sensação de que tinha sido uma boa proposta instalou-se. Nesta coisa do online, falhamos muitas vezes... mas hoje parece que todos gostaram de explorar o azul e houve casas onde o "Período Azul" ganhou toda uma nova dimensão. 

Neste modelo à distância, fazemo-nos equipa com as famílias, mais ainda do que nos dias normais em que os recebemos no colo. Não queremos crianças reféns dos ecrãs mas queremos poder continuar a ver-nos e ser um apoio para as famílias. Queremos continuar a encontrar estratégias juntos ainda que saibamos que as casas não podem ser escolas. Falamos da importância do brincar e reaprendemos a estar... a trabalhar... a viver! 

No meio disto tudo apenas uma regra: corpo são e mente sã para voltarmos todos à escola o mais brevemente possível. 


E aí, já conhecem esta história? Já experimentaram pintar só com uma cor? 
Existirão outros períodos de outras cores ainda por descobrir?