sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Uma manhã na mata

A Sala da Patrícia, convidou-nos para irmos até à mata de Alvalade brincar. Com ajuda destes amigos do Jardim-de-infância, fizemos o percurso até à mata em segurança e com muita curiosidade por tudo o que observávamos à nossa volta. Quando lá chegámos e pudemos explorar todo aquele espaço, corremos, demos as mãos, rimos, fizemos descobertas, apanhámos paus, caruma, folhas secas, fizemos buracos no chão, passeámos a par... foi uma manhã incrível que já só pensamos em repetir. 

"Brincar não é só manipular brinquedos, é estar em confronto com a natureza, com o risco, com o imprevisível e com a aventura. E uma criança que não o faz, dificilmente no futuro assumirá riscos, enfrentará adversidades com segurança…" Carlos Neto

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Dançar com as Quatro Estações de Vivaldi

Hoje, depois de relermos a história da Julieta das Estações de Vivaldi, decidimos dançar ao som das Quatro Estações. Para dançarmos a Primavera, usámos malmequeres. De início estava tudo meio envergonhado mas aos poucos foram se soltando. Quando a música mudou e o som do Verão entrou na nossa sala, dançámos e rodopiámos com lenços de seda coloridos que temos na sala. A sala encheu-se de cor, porque o Verão é assim mesmo cheio de cores vivas. Foi então que a música mudou outra vez e as folhas de Outono começaram a cair ... o Outono entrou sem avisar e todos continuaram a dançar. Estávamos quase a chegar ao fim e o entusiasmo era tão grande que se tornou inexplicável o que estávamos a viver. A música mudou outra vez, abrimos chapéus de chuva... afinal o Inverno fazia-se adivinhar... mas de repente não foi de chuva que se encheu a nossa sala mas sim de "neve"... bem branquinha que cobriu o chão e permitiu mil e uma brincadeiras. 

No final as estações misturaram-se e a dança deu lugar a muitos saltos, brincadeiras, partidas, gargalhadas. As imagens falam por si. E eu, já não tenho palavras para a maravilha que foi a nossa manhã. 


 

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

A árvore dos Caracóis

Esta semana a Julieta partilhou uma imagem de um quadro do pintor Gustav Klimt. Começámos a observar a pintura com atenção e começaram a surgir algumas observações: 



É uma árvore com caracóis!
A árvore dos caracóis!!!
Tem amarelo, castanho... e laranja!
Tem uma bota. 
É uma meia. 
Não, é um pé preto. 
Tem flores aqui! - aponta. 

Com tantas e tão bonitas apreciações decidimos também nós pintar, com as cores que tínhamos identificado, uma árvore com caracóis. 

 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Subir, trepar, descer, escorregar

Esta semana trouxe para a sala um circuito Pikler com vários materiais que permitem uma série de explorações e brincadeiras. Estes "brinquedos" desenvolvidos pela pediatra Húngara Emmi Pikler, ajudam a desenvolver o equilíbrio e a motricidade, a segurança e a coordenação. Assim que montámos os materiais começaram as explorações e para além do subir, descer, girar, escalar, que os materiais já proporcionam, também houve o balançar, o escorregar, o apoiar, e partilhar que vivemos em cada novo tempo na nossa sala. 






Emmi Pikler afirmava que uma criança que se pode movimentar livremente e sem restrições é mais cautelosa e aprende a cair com segurança, enquanto uma criança que é muito protegida e cujos movimentos são restritos é exposta a maiores perigos.

Podem encontrar estes materiais aqui Mr. Júlio Kids. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

À descoberta dos figos e das figueiras

Na semana passada a Ema trouxe um figo seco para a sala e esteve a mostrar aos amigos. Ficámos muito curiosos com este fruto mas não o reconhecemos logo.  

No fim de semana fui à nossa quinta de Castelo de Bode, e aproveitei para ir até às nossas figueiras. Tirei fotos, trouxe folhas da figueira e muitos figos. Na segunda-feira partilhei com o grupo tudo o que trouxe:

Claro que nos deliciámos com os figos maravilhosos que trouxe. Algumas crianças gostaram muito, outras experimentaram mas não adoraram, umas houve que repetiram várias vezes. Foi o verdadeiro prazer da descoberta. 


Enquanto tudo acontecia, fomos registando as nossas descobertas, assim como as vozes das crianças: "A árvore dos figos é a figueira"; "Há figos verdes" "E pretos!"; "O figo é muito doce." "Gosto de comer figos!"; "Na minha casa, a mãe tem figos!". 


No fim fizemos um cartaz com as descobertas que fizemos e deixámos à porta da nossa sala, para que a restante comunidade pudesse ver o que andamos a fazer/descobrir. 

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

O regresso

Estou de regresso, numa altura em que o blogue faz ainda mais sentido. As portas das escolas estão fechadas às famílias. Os pais pouco ou nada entram nas escolas e a relação diária de abraços e troca de palavras que tínhamos, faz-se agora de forma mais escassa e adaptada. O blogue sempre foi uma janela aberta ao mundo para mostrarmos o que fazemos em sala e agora, mais que nunca, é necessário abrirmos janelas e sentirmos o afeto que continuamos a viver dentro da escola. 

Setembro chegou e com ele, uma sala nova, alguns amigos novos e muitoooos novos procedimentos. Os pais já não entram na sala, mas pelo período de adaptação das crianças que estão pela primeira vez na escola, encontrámos forma de termos um espaço transitivo. A adaptação faz-se no recreio. Os pais despedem-se dos filhos com calma, sem beijos apressados e sem um nó no coração. As crianças ficam a brincar e neste tempo em que pais e filhos exploram o espaço, estabelecemos relações e construímos pontes de confiança. As crianças que já estão adaptadas e com muitas saudades da escola, regressam mais cedo à sala com a Drica (auxiliar de ação educativa) para poderem explorar o novo espaço e assim evitar que estejamos em demasia no recreio. Quando os pais se sentem confortáveis, e as crianças estão bem, despedem-se e seguem rumo aos seus trabalhos. Nós juntamo-nos ao restante grupo (não sem antes lavar mãos) e conhecemo-nos todos melhor. Alguém fica responsável pela higienização do recreio e materiais.  Com crianças de 2 anos (na minha opinião, com crianças seja de que idade for) não há distanciamento social. Há um apostar forte na higienização, desinfeção, lavagem de mãos, etc. Somos pelo bem estar emocional, somos pelas relações e pelos afetos e neste novo caminho que seguimos só uma certeza: não largamos a mão de ninguém. Sorrimos mais com os olhos, aprendemos novas formas de nos expressar, aproveitamos os momentos de distanciamento para mostrar um sorriso, abraçamos, damos colo, lavamos mais vezes as mãos, mudamos mais vezes de bata, mas ninguém nos tira o amor, ninguém nos rouba a relação. 


A descoberta dos jogos a pares


Os materiais de artes visuais todos ao alcance das crianças, para poderem escolher, explorar, experimentar o que querem fazer. 


A área do faz-de-conta, a biblioteca da sala... Todos os materiais estão acessíveis às crianças. O cuidado que tivemos passa por ter vários "kits" de materiais que rodam conforme a utilização. Após a utilização são lavados/vão para a higienização e ficam outros no seu lugar. E depois voltamos a trocar e a trocar. Há uma dança de materiais mas nunca uma ausência dos mesmos. As crianças precisam de objetos para explorar, para descobrir, para inventar, para se apropriarem, para se relacionarem com o outro e com o mundo. 

E claro... dar o devido valor e importância ao espaço exterior e ao brincar. Tanto e tanto que podemos fazer neste enorme recreio que temos à porta da sala. Temos muita sorte. 

P.S. - Prometo ainda atualizar muitas das coisas que vivemos entre o último post e o de hoje. Por cada post novo, um mais antigo. 

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Da curiosidade sobre o que comem as baleias a um projeto de intervenção na Creche

Tudo começou no dia em que o Miguel trouxe o livro "Baleia" para a nossa sala. Assim que o abrimos vimos que dentro da baleia estavam várias pessoas. A pergunta surgiu imediatamente. "Mas as pessoas comem baleias?" Depois desta outras perguntas foram se juntando. "As baleias vivem  na água? No mar? Nos lagos?" "O que comem as baleias? Pessoas?" "As baleias são primas dos tubarões?". Estava lançado o projeto. Como não tínhamos resposta para a maior parte das perguntas, decidimos ir pesquisar o que queríamos saber. 


Num saltinho à Biblioteca da escola, encontrámos imensos livros sobre as baleias.... todos tinham algo comum: o mar. Descobrimos então que as baleias vivem no mar. Os livros que trouxemos para a sala foram tomando conta das áreas. Nas mesas, no faz-de-conta, no tapete da biblioteca... para cada lado que eu olhava havia alguém a folhear aqueles livros com a maior curiosidade. 


Continuavam ainda a existir questões sem resposta. Já sabíamos que as baleias e os tubarões não eram primos. Já tínhamos registado as diferenças entre um animal e o outro. Já sabíamos que as baleias não comiam pessoas. Então, um dia de manhã, eu trago uma notícia para a sala. No meio das fotografias que havia imprimido para o projeto, havia uma onde o mar estava cheio de plástico. Num outro recorte de jornal a notícia que uma baleia tinha morrido por ter "comido" muito plástico.  A reação que se gerou naquela mesa, entre aquele grupo de crianças de 2 e 3 anos foi absolutamente incrível e a mensagem que ficou no final daquela longa conversa foi:

- Mas isto é muito, muito grave.
-Temos de ajudar as baleias. 
- Vamos apanhar o lixo do mar. 


As semanas que se seguiram foram de intensa produção. As famílias, sensibilizadas pela conversa (foi enviado um filme a todas) que tínhamos tido e pelas questões que os seus filhos levaram para casa, começaram a enviar mais material. Percebíamos rapidamente que podíamos fazer alguma coisa que ajudasse as baleias. 


Decidimos recolher todo o plástico usado num dia de escola, fomos a todas as salas, à cozinha e pedimos que ninguém deitasse plástico (embalagens) fora nesse dia. Ao fim da tarde tínhamos 3 sacos de 120 lts de "lixo" na nossa sala. Percebemos ali que o lixo que produzíamos era imenso. Decidimos fazer uma baleia gigante e pôr todo o plástico que recolhemos nesse trabalho. Queríamos que todos vissem o que tínhamos descoberto e que todos pensassem em ideias de como podíamos mudar esta nossa forma de estar. Na verdade usámos apenas 1/3 do lixo que a nossa escola produziu num dia - foi impossível usar mais e escrevemos essa informação.  Assim que tivemos a nossa baleia pronta, expusemos no hall da escola. 


O burburinho começou a ouvir-se por todo o lado. Ninguém ficou indiferente à baleia gigante cheia de plástico que todos nós produzimos/consumimos num dia normal de escola e que estava agora exposta naquele hall. Mas era necessário fazer mais. "Isto não chega." - dizia o Miguel do alto dos seus 3 anos. 


Decidimos convidar TODAS as salas da escola para ouvirem a nossa comunicação. Do berçário às salas do 1º Ciclo ninguém faltou à nossa comunicação. No dia marcado fizemos 2 comunicações: uma após a outra para que todos pudessem colocar questões e estarmos à vontade para falar. Desde avisos, a comunicação de factos e até uma canção que sensibiliza para a redução do plástico, esta comunicação teve de tudo um pouco. E temos de agradecer à professora de música, Margarida Barros, que nos apoiou ao longo de todo o projeto, não só nas aulas de música, mas com a sua experiência no que toca ao tema. 

No final de cada comunicação oferecemos a cada amigo um panfleto com o resumo do que aprendemos para levarem para casa. Que as mudanças aconteçam na vida de todos e não só na nossa. 


Por fim o projeto foi afixado também nas paredes da nossa escola para que todos tivessem acesso a este maravilhoso trabalho. Para que todos tomassem consciência da mudança que podem fazer. 


E vocês já pensaram, hoje, como podem mudar o Mundo?

"Assim é a vida em comunidade. Cabe a cada um de nós, individual ou cooperativamente, refletir acerca do mundo que nos rodeia, nunca esquecendo os princípios que guiam o nosso caminho. Enquanto educadores, o papel passa por fomentar o espírito crítico e criar uma verdadeira comunidade democrática, na qual cada criança se sinta válida. Queiramos cada vez mais que as crianças cresçam em contacto pleno com realidade, para que o olhar interventivo exista desde cedo." Marta Reis in «Como desenvolver projetos de intervenção. Ser criança é agir na comunidade»