sábado, 28 de outubro de 2017

Porquinho-da-índia ou Coelho?

Há umas semanas a Susana trouxe à nossa sala os seus dois porquinos-da-índia para podermos observar e fazer festinhas. Todos adoraram... mas ficaram confusos. Afinal que animal era aquele? Era um porquinho mas não faz "ronc-ronc" e mais parece um coelho. 


Os porquinhos-da-índia da Susana ficaram na nossa escola por um tempo e cada vez que passávamos por eles surgia a confusão: "Olha os coelhos!" "Não são coelhos", "São porcos?". 

Decidimos então ir pesquisar. Para a sala levei livros e imagens para vermos as características dos dois animais. Fizemos as primeiras comparações e as primeiras descobertas. 


O coelho é maior e tem orelhas compridas. O porquinho-da-índia é menor e tem orelhas pequenas. O coelho é mais comprido e gosta de saltar e o porquinho-da-índia não salta, mas consegue enfiar-se em sítios muito estreitos. O coelho guincha quando está assustado e porquinho-da-índia guincha quando está feliz ou quando tem fome. O porquinho-da-índia é roedor e o coelho não. O coelho tem patas compridas e uma cauda pequena e o porquinho-da-índia tem patas curtas e não tem cauda. 

Foram tantas as descobertas mas ainda havia confusão. Decidimos então colar as várias imagens que tínhamos dos dois animais em diferentes partes de uma folha, para nelhor percebermos quem é coelho e quem é porquinho-da-índia. 


Depois de fazermos o nosso cartaz, eu e a Susana voltámos à sala com a porquinha-da-índia da Susana e o coelho Alberto da escola e pudemos observar os dois animais para percebermos melhor as suas diferenças. 


O cartaz está exposto na nossa escola para todos poderem ver o nosso trabalho!

domingo, 22 de outubro de 2017

Dia da Alimentação

Na segunda-feira foi dia mundial da alimentação. Logo de manhã recebemos na sala a mãe da Francisca. A Ana é nutricionista e partilhou comigo a vontade que tinha de vir à sala falar sobre alimentação saudável. Pensámos juntas o que poderíamos fazer. No dia combinado a Ana chegou à nossa sala com um saco cheio de peluches e surpresas. E ainda trazia duas caixas enormes com imensas frutas e legumes. 


Deitámos mãos às caixas e fomos descobrindo o que havia por ali. A Ana ensinava o nome de cada legume. Pudemos cheirar, tocar, desfazer, experimentar... Foram tantas experiências ao mesmo tempo! 


Depois a Ana mostrou-nos uns cartões com as imagens e os nomes dos legumes e frutas que tinha trazido. Foi então que pudemos fazer algumas associações. Umas foram mais fáceis que outras. 


De seguida, eu e a Ana começámos a abrir e/ou a descascar as várias frutas que vinham numa das caixas. Pusemos tudo em pratos. Alguns pratos eram bastante artísticos e cativantes (Levámos à letra a expressão "Os olhos também comem!") e outros eram mais simples. O cheiro delicioso a fruta já se sentia por toda a sala e a cor da mesa convidava todos a experimentar estes alimentos. 


Seguiu-se um verdadeiro manjar com muitas experiências alimentares, que resultaram numa maior abertura por parte das crianças a experimentar diferentes e novos sabores. 

Mesmo antes da Ana se ir embora ainda fizemos uma caça à fruta/legume muito divertida. A Ana escondeu por toda a sala as frutas e legumes de borracha que tinha trazido e deixou uma taça vazia no centro das mesas. Quando entrámos na sala, foi hora do jogo começar. 


A manhã foi em cheio e a Ana deixou nos materiais para explorarmos e partilharmos toda a semana na nossa e nas salas vizinhas. Um grande obrigada à Ana por este dia. 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Expressão Motora - A conquista acontece passo a passo.

A expressão motora e a expressão musical têm, na nossa escola, professores especialistas que vêm uma vez por semana à sala. A Margarida - professora de expressão musical - é adorada por todos, mas o Beto teve de conquistar o grupo... e isso aconteceu passo a passo. 



Durante as primeiras semanas, a sua presença era suficiente para causar instabilidade no grupo. No primeiro dia o Beto só se sentou no chão da sala. Alguns aproximaram-se, outros nem quiseram olhar par ele. Nas aulas seguintes chegaram as bolas e depois outros materiais. O Beto passou a brinquedo preferido. 


Esta semana o Beto trouxe uns materiais enormes que resultaram em grandes explorações. E, como sempre, a conquista aconteceu, passo a passo. 

As fotografias dizem tudo: "Passo de um lado para o outro, mas dás-me as duas mãos!" ; "Consigo chegar ao outro lado, mas preciso da segurança da tua mão!" ; "Vou por aqui, mas não como tu queres, eu consigo rastejar!" "Olha para mim, estou sozinho e feliz aqui em cima!" 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Outono é sempre sinónimo de folhas secas!

Estas últimas duas semanas tivemos algumas partilhas de folhas secas. O Eduardo, o Miguel e o Manel trouxeram para a nossa sala, em diferentes dias, um bocadinho do Outono que têm encontrado na rua.


Gostámos de explorar as folhas secas, gostámos de comparar as cores e as formas e gostámos de observar as suas texturas. Depois de muitas explorações e brincadeiras a Nádia propôs fazermos uma colagem com as diferentes folhas de outono que tínhamos na sala. 


E assim foi, cada um escolheu as folhas secas que queria e com cola branca fez a sua composição numa folha. Ficaram belíssimos trabalhos. Obrigada às famílias por estas partilhas tão ricas. 

sábado, 7 de outubro de 2017

Van Gogh Alive The Experience

"A participação da criança na gestão cooperada do currículo na creche decorre da escuta ativa pelos adultos, fundada na observação e na comunicação com as crianças. A participação das famílias neste processo de escuta permite ampliar a nossa compreensão acerca dos seus filhos e das suas culturas."  (Folque, Bettencourt & Ricardo)

A família do Miguel contou-me numa troca de informação rápida de manhã que tinham ido no fim de semana ver a exposição "Van Gogh Alive The Experience" . O Miguel trazia 3 postais para mostrar aos amigos na sala. Aqueles postais suscitaram curiosidade entre o grupo...




Na sala levei-os a a observar umas imagens de quadros que temos na área da expressão plástica e fizemos a relação com os postais- Depois fui buscar um livro grande do Van Gogh à biblioteca da nossa escola e com ele uma proposta divertida. "E se pintássemos como o Van Gogh?"


Com recurso a diferentes materiais e sempre inspirados pelas pinturas originais, cada criança escolheu pintar com uma palete de cores diferentes: amarelos e castanhos como o quadro dos Girassóis ou azuis e pretos como a Noite Estrelada. Entre esfregões, pentes e muita imaginação a semana foi de inspiração e arte na nossa sala. 

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Das partilhas ao conhecimento do Mundo

Esta semana a Maria E. trouxe uma cesta cheia de elementos da natureza para partilhar com os amigos. Naquela cesta, repleta de pequenos tesouros, vinham pinhas, folhas, carocas (bugalhos) e bolotas. Logo à partida estes pequenos pedaços de Natureza dariam para uma infinidade de experiências. Só por si estes elementos naturais são excelentes brinquedos e foi isso mesmo que durante horas aconteceu na nossa sala. 



Depois da partilha da Maria, muitas foram as brincadeiras que aconteceram com os bugalhos, as pinhas e as bolotas...  



No fim do dia e depois de muitas conversas sobre as bolotas, eu trouxe para a sala algumas imagens onde as crianças poderiam ver as bolotas no seu ambiente natural. Com as imagens do sobreiro e das bolotas nas árvores, vieram também imagens de esquilos - porque toda a manhã eles me diziam que os esquilos comem bolotas - e de cortiça.


Na manhã seguinte trouxemos todos os elementos que tínhamos andado a explorar no dia anterior para cima da mesa. Em pequeno grupo - com crianças a sair e a voltar para a mesa, dependendo do interesse e tempo de concentração de cada um - fomos observando aquelas imagens e fazendo a relação com as bolotas que a Maria trouxe. 


Começámos então a organizar ideias. O maior interesse foram as bolotas e por isso chegou a altura de eu escrever sobre elas. «Onde nascem, quem as come, que outras "coisas" nos dá esta árvore de bolotas?»


No centro de recursos da escola havia um pedaço grande de cortiça que já havia sido trazido por outra família em tempos e que ficou para outras utilizações. Fui buscar esse pedaço de cortiça e deixo-os explorar. 


Todos quiseram tocar, cheirar e comparar com as imagens reais que tínhamos partilhado no dia anterior e que continuavam por ali na nossa sala. 


Por fim, mostrei-lhes um caixa cheia de rolhas de cortiça que usámos para brincar, para empilhar, para fazer conjuntos e pequenas contagens. Contei-lhes que as rolhas foram feitas também a partir daquela árvore. Aquela que dá bolotas... as bolotas com que gostam tanto de brincar. 


Foi uma manhã rica de tantas descobertas e explorações. Foi uma semana em cheio com brincadeiras infinitas com estes elementos naturais que fazem as delícias das crianças.


"O planeamento de atividades em creche decorre de diversos pontos de partida, podendo estes confluir em propostas carregadas de significado. Como pontos de partida temos os interesses das cranças manifestados pelo seu comportamento e pelas suas verbalizações, bem como pelas escolhas espontâneas que fazem. (...)"  Folque, Bettencourt & Ricardo

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

As primeiras partilhas

Na nossa escola valorizamos imenso a participação das famílias. Sentimos que tudo ganha outro sentido quando as famílias são envolvidas neste processo de aprendizagem. "O trabalho com a família tem como objetivo promover a comunicação e as conexões entre o mundo familiar da criança e o mundo da creche, capaz de ampliar as aprendizagens das crianças." (Folque, Bettencourt & Ricardo). 

Não queremos ser um fardo para as famílias, mas acreditamos que a partilha de uma experiência, a fotografia de um momento, um objeto que gostamos em casa, traz uma nova dimensão ao trabalho em creche. Ao termos em conta as partilhas que chegam de casa, estamos também a envolver as crianças na participação do planeamento de novas atividades. 

Desde o início do ano têm chegado diversas partilhas à nossa sala. Aquele momento em que uma criança se senta à frente do grupo e "mostra" o que trouxe, num tempo de comunicação (verbal ou não verbal) com o outro é um momento de enorme valorização pessoal e de validação social. É quando nos tornamos comuns e o que é "meu" passa a ser "nosso". 


O Sebastião trouxe uvas e os seus cereais preferidos para partilhar ao lanche com os amigos. 


A Francisca trouxe um xilofone moçambicano que fez as delícias de todos na sessão de música com a professora Margarida. 


O Santiago trouxe marmelada da avó que partilhou com as crianças da nossa sala e ainda com as crianças da sala da Susana. Um momento muito enriquecedor para todos com este encontro geracional tão bom! 


A Beatriz trouxe uma boneca e mostrou aos amigos cada parte do corpo: "Aqui é cabeça, os olhos, a barriga..." No fim da comunicação a boneca da Beatriz foi para a área do faz-de-conta onde foi alvo de inúmeras brincadeiras. 


O Eduardo apanhou folhas secas com o pai e trouxe um saco cheio que partilhou entre os amigos.


A mãe e o pai da Francisca trouxeram de Moçambique uma caixa de tesouros daquela terra. Ao abrirmos a caixa descobrimos conchas, corais, cascas de frutos secas, búzios e tantas outras coisas que quisemos explorar.